sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Sedentarismo e sua relação com a vida intrauterina



Comportamento sedentário durante a vida pós-natal é determinado pelo ambiente pré-natal (vida intrauterina) e exacerbado por uma dieta hipercalórica durante a vida.
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American Journal of Physiology (Regul Integr Comp Physiol) 285: R271–R273, 2003.
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Autor principal: P. Gluckman, FRS, Liggins Institute, Faculty of Medical and Health Sciences, Univ. of Auckland, Auckland, New Zealand (E-mail: pd.gluckman@auckland.ac.nz)
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Nos últimos anos, diversas pesquisas vêm tentando evidenciar uma correlação entre a vida intra-uterina do feto, por meio da dieta da gestante, e o modo de vida pós-natal dos filhotes. Já foi descoberta uma ligação dessa experiência intra-uterina e doenças cardiovasculares e metabólicas durante a vida. Agora, o objetivo dos cientistas é descobrir como esse ambiente fetal possui conseqüências -a longo prazo- nas patofisiologias endócrina e metabólica durante a vida adulta, também conhecido como programação fetal.
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A desnutrição materna durante a gestação leva a uma prole com problemas de obesidade, hipertensão, consumo exagerado de alimentos, elevadas taxas de insulina e leptina (hormônio relacionado com a saciedade), demonstrando uma clara resistência a esses hormônios, entre outros fatores de risco. O experimento em questão - publicado em 2003 no American Journal of Physiology - visa demonstrar como essa desnutrição materna afeta a locomotividade dos filhotes, ou seja, testar o quão sedentários são os filhotes submetidos a essa formação fetal adversa. Para tanto, fecundou-se um grupo de ratas Virgin Winstar, que foram separadas em dois grupos: um que recebeu alimentação à vontade (AD - ad libitum) e outro que recebeu apenas 30 % da quantidade de alimentos do primeiro grupo (UN – do inglês undernourished).
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Ao nascerem, os filhotes das ratas do grupo UN eram significativamente menores que os filhotes do grupo AD. Quando os filhotes foram desmamados, eles foram separados aleatoriamente em dois grupos (independente da dieta das progenitoras): um que recebeu uma dieta controle e outro que recebeu uma dieta hipercalórica. Nos dias 35, 145 e 420 do experimento, foi medida a atividade locomotora desses animais.
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Durante todas as idades analisadas, o grupo que nasceu de mães subnutridas foi significativamente menos ativo (mais sedentário) dos que o da prole que nasceu de mães com dieta normal, independente da dieta que esses filhotes receberam durante a vida pós-natal. Além disso, os ratos de mães subnutridas se alimentavam mais – ou seja, eram mais gulosos – que os de mães com nutrição normal.
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Esse experimento foi o primeiro a separar claramente os efeitos da vida pré-natal dos da vida pós-natal e demonstrar que o modo de vida pode sim ter uma relação com a vida intrauterina. E ainda mais, essa influência da vida fetal pode ser permanente, visto que esses resultados foram obtidos até em ratos com idade avançada. Isso demonstra uma característica evolutiva importante, visto que o ambiente gestacional reflete as características do meio externo e essa programação fetal pode influenciar no comportamento do animal de maneira positiva para adaptá-lo a essas condições adversas.
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A relevancia desses resultados -obtidos em ratos- em seres humanos é debatida neste artigo de 2003. Será que entre os fatores de risco para a obesidade no adulto (humano), poderia-se incluir a desnutrição da mãe do indivíduo? Como as alterações fisiológico-nutricionais na vida da progenitora seriam trasmitidas -do ponto de vista molecular- para o feto e "fixadas" por toda a vida adulta?
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Leia o artigo completo clicando abaixo:
http://ajpregu.physiology.org/cgi/reprint/285/1/R271
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Autores da resenha:
Vinicius Lacerda (estudante de Medicina da UnB) e Prof. MHL

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