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segunda-feira, 1 de março de 2010

Ciência dos cosméticos


A revista Veja dessa semana trouxe em sua matéria de capa uma reportagem sobre cosméticos. Colocando o leitor a par dos avanços marcantes que ocorreram nessa área do conhecimento nas últimas décadas, a reportagem (um pouco empolgada demais, é verdade) traz as principais linhas de pesquisa que garentem que acontecerá, nos próximos anos, mudanças significativas na eficiência e potência dos produtos utilizados para manutenção de uma pele saudável e de aparência jovem.


Entre as descobertas e as práticas de grande importância, são citadas a descoberta das acquaporinas (pelo Nobel Peter Agre), responsáveis pela movimentação de água através das células, produtos com nanotecnologia (que permitem uma penetração até as camadas mais profundas da pele), e técnicas especializadas de influenciação de divisão celular e produção de moléculas alvo, como o colágeno.



A reportagem traz, ainda, uma noção do gigantesco aparato envolvido com a indústria cosmética, com laboratórios de grande porte, milhares de Ph.Ds em serviço e associações de pesquisa com universidades. Para a farmácia, um fato surpreendente: dentre os vários doutores líderes de pesquisa, a maioria, atualmente, não é formada em farmácia, como acontecia alguns anos atrás.
Link - Acervo da Veja
veja.abril.com.br/acervodigital

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Genéricos

Medicamentos genéricos - uma soluçao sempre viável?

A coluna de saúde do site do The New York Times apresentou uma interessante matéria sobre medicamentos genéricos. O foco não esteve, contudo, na diferença de preços e na igualdade de princípios ativos: o foco foi sobre a validade de se poder usar qualquer medicamento genérico em qualquer situação.

Tratada com cautela desde o começo da reportagem, a problemática da eficiência de todos os genéricos é bem controversa. Diversas instituições de controle de qualidade de medicamentos e associações de especialidades médicas aprovam o uso de medicamentos genéricos em sua totalidade, alegando que não há evidências científicas de que medicamentos genéricos possam ter efeitos menores que seus correspondentes originais. Essa posição traz consigo, em um aval comercial, a posição também favorável das seguradoras, que vêem nos genéricos excelentes fontes de economia.

A grande questão, vê-se ao longo da matéria, é que, embora os medicamentos genéricos tenham o mesmo princípio ativo, com a mesma eficácia em níveis sanguíneos com faixa de variação controlada, nem todos os medicamentos parecem obter o efeito da marca original. Citado como exemplo, o medicamento genérico Budeprion XL 300, um anti-depressivo, parece ter efeitos colaterais diversos da forma original, com os pacientes que fazem uso dele percebendo as mudanças e chegando até a regredir a estados pré-medicamentosos em seus quadros de depressão e bipolaridade.
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Além dos medicamentos receitados por neurologistas, aqueles receitados por cardiologistas também parecem ter algumas diferenças sutis, mas importantes, das marcas originais. E é aí que reside a principal diferença: para questões neurológicas e cardíacas, sutis mudanças de níveis sanguíneos podem ter efeitos devastadores.

A reportagem ainda traz uma questão interesante: a de quanto de variação existe quando se fala de “genéricos”. Os níveis sanguíneos para os medicamentos são controlados com aceitação de variação, em relação ao medicamento original, de 80 a 125%, sendo a média dos medicamentos disponíveis 3,5%. Mesmo sendo o parâmetro baseado nos níveis sanguíneos, uma das dúvidas que existe é sobre a absorção: há a possibilidade de os diferentes efeitos observados para alguns genéricos serem devidos a taxas diferentes de liberação de princípios ativos, mesmo o nível sanguíneo, depois de algumas horas, atingindo valores padrão para todos. Existem diferenças nesses quesitos não só quando se compara genéricos com originais, mas também quando se compara genéricos com genéricos – e deve-se lembrar que o consumidor quase nunca é avisado que existe essa diferença.

Link da matéria original:

Estêvão Cubas R.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Diabetes tipo II - The New York Times


O Guia de Saúde do site do The New York Times trouxe uma matéria especial para aqueles que enfrentem um afecção crônica e cada vez mais comum: a diabetes tipo II.

Relacionada com alterações no uso normal pela insulina no corpo, a diabetes tipo II cursa com eventos relacionados á alteração no metabolismo normal da glicose, sendo a sua devida interiorização celular prejudicada pelo funcionamento anormal da secreção de insulina. Tendo relação com vários fatores ambientais (herança multi-fatorial), a diabetes tipo II é foco de grande atenção para se identificar onde, como e quando as intervenções em estilo de vida e dieta são recomendáveis, necessárias e efetivas.

É justamente sobre esses aspectos que versa a reportagem do Times. Trazendo uma explicação rápida e de fácil entendimento, a reportagem fala das causas da afecção, sintomas, exames para identificação da doença e principais complicações decorrentes dos níveis alterados de glicose no sangue. Além disso (e talvez o mais importante), ainda há o tratamento aconselhado, que tem alta contribuição das atitudes do próprio paciente. Começando pelo mais básico – o próprio processo de informação do paciente-, mostra-se que é possível ter-se um bom nível de vida mesmo com diabetes, e que mudanças no estilo de vida e aprendizado sobre a doença são fundamentais.

Na mesma reportagem, ainda há os relatos de 6 pessoas que convivem com os problemas da doença e com as soluções encontradas para eles. Vale a pena ver, tanto para aqueles que enfrentam o diagnóstico de já ter a doença quanto para aqueles que querem ver um pouco mais de perto esse universo tão diferente e tão próximo de nós.

Links:

The New York Times (reportagem escrita)

http://health.nytimes.com/health/guides/disease/type-2-diabetes/overview.html?WT.z_gsac=1

The New York Times (relatos de pacientes)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Sol e câncer de pele

O sol é importantíssimo para manter a saúde do corpo – sua participação é necessária para a manutenção da famosa homeostase corporal, o equilíbrio dinâmico que se expressa, em última análise, como a própria saúde biológica. Citando a que talvez seja a mais importante de suas funções, a luz solar é essencial para que haja a formação adequada da forma ativa da vitamina D3 (calcitriol), envolvida na regulação da absorção intestinal de cálcio.

Mas qualquer coisa, se em excesso, faz mal. O mesmo vale para as radiações presentes na luz solar – em dosagens “fisiológicas”, contribuem para a homeostase; em dosagens excessivas, são fonte de alterações importantes na saúde humana.

Com isso em mente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em Novembro deste ano, o uso de equipamentos de bronzeamento artificial para fins estéticos. A quantidade de radiações ultra-violetas emitidas por esses equipamentos em sessões de 45 minutos, para se ter uma idéia, são equivalentes á quantidade de radiação recebida durante 8 horas debaixo de sol forte. Toda essa “brutalidade” estética indica um dos caminhos que levou ao grande aumento observado nos casos de câncer de pele ocorridos nos últimos anos.

O câncer de pele foi o tipo de câncer que mais cresceu em número de novos casos na última década, atualmente possuindo o posto de câncer mais comum no país. Duas radiações ultra-violetas presentes nos raios solares – o UVA e o UVB – são responsáveis por grande parte dos efeitos associados á longa exposição á luz solar (especialmente em horários de alto incidência de insolação), sendo que os dois tipos de raios têm características um pouco diferentes. Enquanto o UVA está mais relacionado com a aparência da pele (manchas e aparência envelhecida), o UVB é o tipo de radiação que mais se relaciona com a questão do câncer de pele.
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O UVB, atingindo as camadas mais superficiais da pele, é responsável pela vermelhidão e queimaduras que aparecem após abuso de luz solar, sendo o mais correlato com as alterações celulares que culminam com o aparecimento de um câncer.

O crescimento do número de casos de câncer de pele no Brasil não deixa de ser intrigante e frustrante. Por ter como motivo causador um fator muito simples, a exposição sem proteção á luz solar, a incidência desse tipo de câncer deveria estar caindo. Esse fato fica ainda mais evidente quando se observa que, se eficientemente passado, o filtro solar é uma proteção mais do que necessária.

Um dos problemas, de acordo com um estudo da USP, é que não se passa protetor solar corretamente. Como é passado costumeiramente, acaba-se tendo menos da metade do recomendado por centímetro quadrado de pele (2 miligramas por centímetro quadrado), levando á queda no fator de proteção do protetor utilizado. Devido ás irregularidades da pele, ainda, o uso insuficiente de protetor pode deixar até 50% da superfície corporal desprotegida.

Contudo, o uso correto, embora pareça ser fácil de ser posto em prática, não se revela tão simplório assim: o correto seria se passar o equivalente a uma xícara de café cheia de protetor solar em um adulto médio, 30 minutos antes da exposição ao sol e á água, repetindo a aplicação de duas em duas horas ou após a entrada na água.

Estêvão Cubas R.

Fontes: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/verao-use-protetor-solar-dobro-511929.shtml

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/anvisa-proibe-bronzeamento-artificial-511467.shtml

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Saúde e Baço


Uma matéria da Revista Saúde (editora Abril) veio recentemente trazer uma voz em defesa de um importante mas até menosprezado órgão: o baço. Responsável por diversas funções relacionadas ao tecido sanguíneo, o baço já chegou a ser alvo de procedimentos e protocolos (tanto clínicos quanto cirúrgicos) que o colocavam bem abaixo do que parece ser seu verdadeiro lugar na manutenção da homeostase do organismo.

De acordo com a reportagem, um estudo do Hospital Geral de Massachusets e da Faculdade de Medicina de Harvard trouxeram evidências importantes da participação do baço em diversos tipos de lesões ao sistema cardiovascular, em particular ferimentos profundos e infartos.

As funções do baço são diversas: o órgão se caracteriza como um reservatório importante de sangue, sendo que a artéria que o irriga (a artéria esplênica) é um dos principais ramos do tronco celíaco, um conjunto de vasos que emerge da aorta abdominal, e que ainda manda ramos para o fígado e a parte superior do intestino delgado.

Com seu grande aporte sanguíneo, o baço conta com toda uma estrutura histológica para possibilitar uma outra função sua acoplada á primeira: o de filtrar o sangue que passa, removendo e retendo tanto agentes e células infecciosas quanto células envelhecidas, cuja função já pode estar prejudicada.

Além disso, o baço também é um reservatório de monócitos, os fagócitos circulantes, que quando nos tecidos se diferenciam em macrófagos. Essa função também encontra respaldo na anatomia histológica do órgão: a polpa branca do baço (nódulos linfáticos) é uma importante fonte de células de defesa do organismo.

Essas funções desempenhadas pelo baço, contudo, não são exercidas unicamente pelo órgão, e esse não se configura essencial á vida: pacientes que sofrem sua retirada sobrevivem quase que naturalmente.

Mas é justamente aí que há mais a ser acrescentado: embora haja sobrevida quase total á retirada do baço, a falta do órgão traz uma debilidade ao sistema imunológico, o que acaba diminuindo a média de vida desses pacientes. Além disso, há agora a nova correlação entre danos ao coração, por exemplo, e uma atuação reparadora do baço, que agiria enviando células imediamente para o local da lesão, sendo importante na recuperação do paciente.

Um pequeno órgão aproxidamente do tamanho de um punho fechado, o baço deve seu nome ao original em latim “badiu”, que significa avermelhado: uma referência á grande irrigação do órgão. Incidentes que podem levar á retirada do baço são doenças hematológicas radicais (como anemia severa, cistos e linfomas) e traumas ao órgão, que podem resultar em grave hemorragia interna.

Estêvão Cubas

Fonte: http://saude.abril.com.br/edicoes/0316/medicina/conteudo_512887.shtml

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Doce açucar: uma amarga ilusão

Texto baseado na reportagem de capa de Veja da semana passada, com o título AÇÚCAR é a droga da vez?

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Coluna do Estevão
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Doce açúcar: uma amarga ilusão


Intimamente associado aos aspectos mais doces do cotidiano, o açúcar é um dos pilares gastronômicos das mais variadas sociedades do mundo atual. Aqui, no Ocidente, só para citar alguns exemplos, temos bolos, pudins, chocolate, sorvetes, cafés, molhos e bebidas que, em maior ou menor quantidade, agradam ao paladar com os gostos aos quais todos já se acostumaram.

Até aí, tudo certo. Que mal podem fazer os grãozinhos inofensivamente colocados em tantos alimentos, em tantos lugares, em tantas situações, a tantas horas? A resposta – como grande parte delas – pode ser encontrada em um daqueles dizeres sábios, antigos e sem autores específicos: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”. Mas... Açúcar é remédio? Em sentido estrito: não. E açúcar é veneno? Em todos os sentidos: se em excesso, sim.

Como praticamente todas as substâncias (inclusive a água), os carboidratos que são açúcares são prejudiciais ao bom funcionamento do organismo se estiverem em quantidades excessivas. Alguns deles são conhecidos desde os primeiros períodos da infância, como as cáries dentárias – lesões aos dentes causadas por nutrientes em excesso na boca, dando substrato para certas bactérias viverem e fazerem estragos bem sérios. Doenças nervosas, problemas renais, problemas no coração e complicações vasculares (como a retinopatia) são mais conhecidos dos diabéticos, problemas esses que também contam com a contribuição do açúcar excessivo no sangue. Além desses, um triste desfile que tem desde hipertensão e derrames cerebrais até amputações. E, é claro, não se pode de jeito algum deixar de mencionar-se a obesidade.

Assumindo cada vez uma proporção de pandemia (com 400 milhões de obesos no mundo), e tida por alguns como parte dos principais desafios de saúde desse século, a obesidade conta com uma triste contribuição dos açúcares, presentes em quantidades desproporcionais nos mais variados – e gostosos – tipos de alimento. Seja pelo custo, pela praticidade ou pela atratividade, cada vez mais nosso modo de vida urbano e de estilo norte-americano nos empurra para médias populacionais de IMC maiores e maiores. Não só no Brasil, não só nos EUA; mas no mundo inteiro.

Vamos, então, aos vilões. Mais precisamente, a um de seus veículos, talvez o principal. O refrigerante. Doces em grandes quantidades, refeições mais do freqüentes em redes de fast-food e outras formas de ingestão excessiva de açúcar não são de maneira alguma pouco importantes. A questão é que o desequilíbrio vivido hoje em dia na questão “açúcar” faz merecer uma séria reflexão sobre o impacto que têm os refrigerantes, seu veículo mais popular. 14 bilhões de litros de refrigerante por ano são bebidos no Brasil, e, nos EUA – a pátria da Coca-cola -, o consumo é 4 vezes maior. Uma simples latinha de 350 ml contém o equivalente a cerca de 10 colheres de chá de açúcar, com calorias suficientes para fazer engordar, segundo estimativas, mais de 6 quilos por ano com consumo diário dessas latinhas.
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Recentemente, nomes importantes da epidemiologia e figuras acadêmicas de destaque chegaram a propor aumentos nos impostos de refrigerantes em certos estados dos EUA a fim de conseguir, desse modo, uma diminuição efetiva do consumo. Além disso, outras propostas incluíam a diminuição expressiva da quantidade de açúcar presente nos refrigerantes, indo das atuais 10 colheres para aceitáveis 3 colheres de açúcar por latinha.

Os níveis recomendados não ficam soltos. Importantes associações e organizações estipularam níveis mais rígidos para o quanto de açúcar é aceitável se ingerir – sendo que esse limite diminuiu consideravelmente nas últimas décadas. A American Heart Association, pela primeira vez na história, definiu limites para o consumo de calorias de açúcar – com apenas 100 e 150 calorias para mulheres e homens, respectivamente. A OMS (Organização Mundial da Saúde), mesmo tendo que denunciar tentativa de inibição por parte da Sugar Association dos Estados Unidos, estabeleceu limites de 10% das calorias diárias sob a forma de açúcar industrializado. Além disso, há recomendações de no máximo quatro ingestões diárias de açúcar na Eurodiet, guia alimentar da União Européia, e, na Alemanha, Bélgica e em parte no México, legislações sobre venda e propaganda de produtos com altos teores de açúcar em escolas e áreas próximas. Grande parte da dificuldade em se estabelecer valores rígidos nas recomendações está no poder do lobby da indústria do açúcar: nos EUA, por exemplo, há amplo financiamento tanto para o partido Republicano quanto para o Democrata, e a força no Senado dos representantes dessa indústria é grande.

Um local onde essa influência do poder do açúcar se manifesta é na área de publicações de estudos científicos. Uma análise feita pelo professor David Ludwig, de Harvard, mostrou que absolutamente todos os artigos analisados (os de maior relevância para a área) que haviam sido financiados pela indústria açucareira aprestaram resultados estranha e absolutamente favoráveis – bem diferente do restante dos trabalhos, que não haviam sido financiados, e que tiveram conclusões mais realistas.

O quanto de açúcar, onde e como são perguntas que serão respondidas nos próximos anos. Contudo, tudo o que há de história ficou – desde as transformações imensas na sociedade até os mais magníficos doces. E, inclusive, ficarão as poesias, entre as quais segue a bela estrofe do poeta Ferreira Gullar sobre o açúcar, citada em uma reportagem da revista Veja:

"Afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca"